segunda-feira, 20 de junho de 2011

De papo com o silêncio

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A chiacchierare col silenzio 

Hoje, me sinto mal
Sinto-me com uma normalidade tamanha
Rabisco, rabisco
Nada colho
Não consigo sorrir
Não consigo chorar
Quero tantas coisas
Que não cabem em meu abraço
Tento falar com Deus
Como uma rádio que fala
Sozinha.
Mas, mesmo assim, sinto um pouco de paz.
Sensações diversas
Passam por mim.
São muitas imagens
Não definidas por completo.
Meu peito incha
E eu não choro
Nem dou risadas.
De repente, fixo o meu olhar
Em dois transeuntes de uma rua que vejo.
Dois velhos
Distantes entre si.
Um sorridente, alegre
A cantarolar uma canção cativante
Com um livro na mão.
O outro, melancólico
Andar trôpego, cansado
Resmungando algo.
Eis que, ao mesmo tempo,
Eles se viram para mim
E me dizem em coro:
“__ Esperamos por você.”
Meu choque é maior
Ao ver
Que ambos têm o meu próprio rosto.
Fecho os olhos por um instante

Abro meus olhos e percebo que estou em casa
Com uma caneta na mão
E uma folha de papel em frente
Na folha está escrito:
“Olha os teus passos
Segura as tuas pernas
Pois por onde tu passas
Escreves tua história
Crias o teu destino
Não se anda com os pés dos outros.
Pensa primeiro
Para que a tua escolha
Seja a melhor de todas.”
(Do fundo dos meus olhos. Hipolito Perone, 2003.)

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