segunda-feira, 13 de junho de 2011

A ilha

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L'isola 

São tão altos os muros
Que as ilhas humanas
Constroem ao seu redor
Impossibilitando cada vez mais
A visão do interior
De cada uma
Continuando isoladas
Nesta batalha individual
Que travam até com elas próprias
Em prol de um mundo
Com mais lamentações
Onde a humanidade
É um arquipélago,
A moeda corrente
É o egoismo variável
Conforme a ganância.

E todos “vivem”
Cada um para si
Culpando os outros.

Haverá um dia, porém
Que os muros ficaram imensos
E as trevas cobrirão as ilhas.
E o habitante se sentirá aflito
Aterrorizado pelo próprio campo de defesa
Que tentará fugir
Para encontrar abrigo em outra ilha.

Mas, ao abrir os portões,
Verá somente o imenso mar
E a distância entre as outras ilhas.
O seu desespero sera tamanho
Que ele se lançará ao mar
Nadando com garra.
Suas braçadas serão tão violentas
Que suas unhas serão arrancadas.
Sua força não será suficiente.;
Dos seus olhos,
Sairão lágrimas de sangue
E a água salgada invadirá seus pulmões.
Começará a afundar.
O seu sangue atrairá as piranhas
Que rasgarão sua pele violentamente.
Ele verá a morte a sua frente
E nada poderá fazer para evitá-la
E, finalmente, perceberá
Os erros cometidos
E se arrependerá
De não ter construído pontes
Ao invés de muros tão altos.
(Do fundo dos meus olhos. Hipolito Perone, 2003.)

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